Há lugar para a ética gestáltica nas organizações?

Graziela Bonatti - Florianópolis - SC

Cleber de Paula - Florianópolis - SC

A Gestalt-terapia pressupõe dois conceitos que formam sua base, a saber: a ética enquanto abertura ao outro e a clínica como produção de desvios das formas habituais para o desconhecido ou criativo. As organizações, por sua vez no atual modo gerencial, investem na virtualidade do desejo, banalizando e empobrecendo aquilo que em termos gerenciais chamam de fator humano. Solicita-se que o trabalhador seja criativo, empreendedor, “associado” e não funcionário. Não mais um poder disciplinar, mas poder gerencial, encobre-se o conflito de classes, aposta-se na harmonia festiva do consumo. Que lugar ainda resta para o desejo, a intimidade e a virtualidade no contexto das organizações? Será que o panóptico foucaultiano consegue rastrear todos os cantos escuros? Que lugar ocupa a clínica no contexto das organizações?