A arte como produção de um ajustamento

Eliana Lino - Florianópolis - SC

Co-autores: Cristiani Peixoto, Bárbara Koerich, Maria Júlia Trento

O trabalho a ser apresentado é um caso de intervenção clínica vinculado ao projeto de extensão, Clínica das Dinâmicas Psicóticas, vinculado ao curso de Psicologia da UNISUL. Os atendimentos foram realizados na clínica escola desta instituição no período entre maio/2007 a novembro/2009, supervisionado pela professora Cristiani Peixoto. Alma, nome fictício dado à consulente atendida, tinha 49 anos e chegou aos atendimentos com diagnóstico de depressão, tentativa de suicídio e episódios de alucinação. Considerando-se que a Gestalt-terapia é o referencial teórico utilizado pelo projeto, principalmente no que concerne aos ajustamentos de psicóticos, sua proposta é auxiliar na ampliação e manutenção de laços sociais das pessoas que realizam este ajustamento. Neste sentido e, entendendo que a consulente, mesmo fazendo a retenção dos co-dados, não conseguia organizá-los espontaneamente, delimitou-se que a mesma desenvolvia ajustamentos predominantemente psicóticos de fundo desarticulado. Durante os atendimentos, Alma entrou na aula de pintura e começou a produzir telas o que, por conseqüência, acabaram fazendo parte do processo terapêutico. A produção de quadros e a organização desses fundos identificados como desarticulados acabaram auxiliando na elaboração de lutos e na organização de dados da consulente. Ao todo, cinco telas marcaram o processo terapêutico, cada qual significando um momento vivido pela consulente. A partir das intervenções realizadas, pôde-se perceber, por exemplo, a modificação de sua aparência como a substituição do blusão masculino por camisas florais e lenços, o que conclui, em partes, que o processo terapêutico realizado com Alma, colaborou para a ampliação desta no que diz respeito aos seus laços sociais.