Contato e acompanhamento terapêutico: quem acompanha quem?
Marcele de Freitas Emerim - Florianópolis - SC
Acompanhamento terapêutico (AT): a clínica-veleiro - à mercê das instabilidades todas, requerendo novos ajustes de velas a cada encontro (ou num mesmo encontro), que só é possível junto, num campo de possibilidades que se arma a cada novo momento, a cada agora, em cada experiência de contato. Vela e vento: quem encontra quem? É no contato que a relação terapêutica se torna possível. Acompanhamento só existe “com”. Seria paradoxal pensar que essa clínica (andante, que faz da rua seu setting, ao sabor do vento) se desse num único sentido - do acompanhante para o acompanhado. As qualidades e capacidades do terapeuta são indispensáveis na busca da medida adequada, da escolha da vela que melhor aproveita o vento, mas o encontro produz força nos dois sentidos. Há uma mútua implicação/contaminação. Se os ajustamentos são do campo, as formas que emergem na relação terapêutica dizem respeito aos dois. Que efeitos produzimos um no outro? O que acontece no campo, quando se está junto, deve ser a bússola a nortear as andanças que serão feitas - acompanhadas, eticamente acompanhadas, compartilhadas. Quando duas singularidades navegam pelos mares, quando caminham juntas pela rua, qual a razão em dizer quem acompanha quem?
Marcele de Freitas Emerim
Psicóloga graduada pela UNISUL, mestranda em Psicologia na UFSC. Arte-educadora formada pela UDESC com pós-graduação na área da Educação (FIA). Acompanhante terapêutica formada pelo Instituto de Psicologia e Acompanhamento Terapêutico (IPAT). Faz parte do Corpo Clínico do Instituto Müller-Granzotto.