Contato e virtualidade: repercussões das relações virtuais na prática clínica

Ana Carolina Seara - Florianópolis - SC

Carolina Prado Koneski - Florianópolis - SC

Maria Teresa Mandelli - Florianópolis - SC

Nosso mundo mudou e modernidade nos traz vários questionamentos: Até que ponto as relações evidenciadas no mundo contemporâneo permitem intimidade? Que necessidades estão sendo satisfeitas através das relações estabelecidas pelo uso de tecnologias? Á serviço de que, e como isso aparece nos consultórios? Na tentativa de responder a esses questionamentos, voltamos nosso olhar para tentar compreender o uso dos meios de comunicação virtual e suas implicações nas demandas atuais que chegam ao consultório. Considerando contato como um evento temporal, e uma estrutura de crescimento pode-se entender que à medida que crescemos podemos reconhecer vivências de contato. Deixamos nos afetar por este “outro”, este outro como cita Mearleau -Ponty, apud Muller-Granzotto e Muller-Granzotto (2007) “o outrem não é tanto uma liberdade vista de fora com destino e fatalidade, um sujeito rival de outro sujeito, mas um prisioneiro no circuito que o liga ao mundo, como nós próprios, e assim também no circuito que nos liga a nós.” E se entendemos contato como possibilidade da manifestação do outro em mim, segundo a clínica trabalha a partir da perspectiva de que, entre clinico e o consulente, exista um só sistema self, uma só configuração de campo. Seria o mundo virtual uma tentativa de articular os excitamentos e a demanda da sociedade? Se o contato, entendido pela acolhida do outro, é o sentido ético da clínica gestáltica, compreender como o campo, estabelecido entre o clinico e consulente, revela essa articulação e como trabalhar com essa configuração é o que nos propomos nesse trabalho.
Ana Carolina Seara, Mestre em psicologia, Gestalt-terapeuta
Carolina Prado Koneski, Especialista em Psicologia Clínica, Gestalt-terapia
Maria Teresa Mandelli, Mestranda em psicologia, Gestalt-terapeuta