A percepção de idosos sobre o atendimento à terceira idade na Unidade básica de Saúde: uma possibilidade de acolhimento, contato e intimidade

Fabiana Souza - Florianópolis - SC

O Ministério da Saúde (2006) afirma que a Saúde da Família torna-se uma estratégia fundamental para a organização e efetivação das atividades na atenção básica. As equipes atuam responsabilizando-se pela comunidade em que a UBS se encontra, desse modo o trabalho é voltado para uma atenção integral e humanizada. Nesse sentido o campo da Saúde Pública é mais um cenário de manifestação dos atos intersubjetivos em que o acolhimento da percepção do outro, a humanização não apenas como política do SUS mas como postura bioética, trazem a reflexão da efetização de uma intimidade que se faz também na presença do atendimento a idosos da rede de saúde coletiva. O Ministério da Saúde (2006) apresenta que a Organização Mundial de Saúde (OMS), no final da década de 90 utilizou-se o termo “envelhecimento ativo”. A fim de efetivar cuidados, buscava desde já ampliar as ações para outros campos que também afetam e constituem o envelhecimento permeado por oportunidades em saúde, participação, cidadania, segurança, qualidade de vida. A presente pesquisa teve como objetivo verificar qual a percepção de idosos sobre o atendimento a terceira idade na Unidade Básica de Saúde em um bairro de São José/SC. Classifica-se em um trabalho qualitativo e exploratório, cujo instrumento de coleta de dados foi a entrevista semi-estruturada junto a quatro idosas colaboradoras. A análise dos dados e sua interpretação, foram realizadas pela análise de conteúdo através do levantamento de categorias a posteriori. Conforme as subcategorias apresentadas verificou-se que as necessidades reais dos idosos parecem não ser contempladas nas ações em saúde, dificuldades foram apresentadas quanto aos encaminhamentos, acolhimento, escuta, atendimentos e a prática da integralidade. A compreensão a cerca dos atendimentos fica muito desorganizada, o que amplia o grau de dependência física e psíquica, o exercício da autonomia dos idosos ficam prejudicados, além das distorções comunicacionais no atendimento a terceira idade que invibializa mais ainda o acesso. Conclui-se que há a necessidade de informações e de um trabalho voltado para a qualificação dos profissionais das UBS de modo Biopsicossocial.
Fabiana de Souza - Psicóloga especialista em Saúde Pública, pós graduanda em Saúde da Família na UFSC e em Psicologia Clínica Gestáltica no Insituto Muller-Granzotto