Contato e intimidade: pensando o desenvolvimento da criança institucionalizada
Greice Caroline das Neves Pasqualotto - Florianópolis - SC
Neomar Narciso Borges César Júnior - Florianópolis - SC
Segundo a Teoria do Apego de Bowlby, as relações de vínculo familiar iniciais da criança e a capacidade dos pais em suprir necessidades deste infante tornam-se a primeira base para a constituição da personalidade e a segurança, permitindo desenvolvimento saudável. Tal base é assegurada pela intimidade que este e outros autores definem como proximidade e formação de vínculo. Crianças em situação de risco familiar são acolhidas em instituições e, por vezes, vivem nos abrigos por anos, perdendo a convivência com a família e sendo destituídas do pátrio poder. Este trabalho, à luz da Gestalt-Terapia, tem por objetivo fazer um contraponto a Teoria do Apego. Acompanhamos crianças institucionalizadas há mais de um ano e a proposta é pensar quem é este, que chamaremos de Grande Outro, que promove a constituição da função personalidade e, como se dá a intimidade na fronteira de contato de tais crianças. A intimidade é a manifestação dos hábitos e seus efeitos afetivos e esse Grande Outro pode ser a própria instituição na qual as crianças vivem. Como hipótese das relações que essas crianças estabelecem com as demandas deste Grande Outro institucional, observamos principalmente o ajustamento de busca (psicose) - onde diante de demandas, a criança não dá conta de atendê-las, pois no horizonte de passado, não há um fundo retido que possa emergir e satisfazer as demandas, dessa maneira, procura-se dados materiais que organizem ou preencham algo que falta - e a manifestação do afeto pela sexualidade.
Autora:
Greice Caroline das Neves Pasqualotto - CRP12/07211: Psicóloga formada pela Universidade do Sul de Santa Catarina - UNISUL (2007). Especialista Clínica em Gestalt-Terapia, pelo Müller-Granzotto Instituto de Psicologia Clínica Gestáltica. Atuação Profissional na área de Psicologia Clínica no Instituto Müller-Granzotto e em um abrigo de menores da Grande Florianópolis. Trabalha com vítimas de violência, desenvolvimento humano e sexualidade. Participa e coordena grupos de estudos e intervenções sobre perdas, morte, suicídio e luto.
Co-Autor:
Neomar Narciso Borges Cezar Júnior - CRP12/07533: Psicólogo formado pela Universidade do Sul de Santa Catarina - UNISUL (2008). Especializando Clínico em Gestalt-Terapia, pelo Müller-Granzotto Instituto de Psicologia Clínica Gestáltica. Atuação Profissional na área de Psicologia Clínica e em um abrigo de menores da Grande Florianópolis. Trabalha com vítimas de violência, desenvolvimento humano e sexualidade. Participa e coordena grupos de estudos e intervenções sobre perdas, morte, suicídio e luto.