Ausência do cuidador e a gênese das fantasias evitativas na infância
Vania Lopes - Brusque - SC
Este artigo trata da possível gênese e função das fantasias evitativas produzidas por crianças acerca da ausência de um dos pais cuidadores, com a finalidade de promover uma reflexão fundamentada na teoria do Self (PHG, 1997), da Gestalt-terapia, especificamente a partir da teoria da neurose tal como esta é compreendida por Müller-Granzotto & Müller-Granzotto (2007),
Minha hipótese é a de que tais fantasias são uma forma de a criança inibir seu excitamento (ou curiosidade) em torno da figura do cuidador ausente, uma vez que tal curiosidade pode estar em conflito com as demandas do outro cuidador, freqüente nos casos de separação dos progenitores, morte ou desconhecimento de um dos pais cuidadores, ou mesmo de pais que residem na mesma casa que os filhos, mas poucos contribuem para a educação dos mesmos.
Nesse caso, a criança pode tomar do cuidador presente os elementos a partir dos quais inibi sua própria curiosidade, elaborando com eles uma série de fantasias de defesa, as quais incluem desde uma inibição inconsciente até uma situação inacabada, ajustando-se de forma a evitar seus excitamentos.
Titulação Autora: Psicóloga graduada pela Universidade do Vale do Itajaí (2004). Concluindo especialização em psicologia clínica gestáltica pelo Instituto Müller-Granzotto (2010).