A clínica dos ajustes ético-políticos no campo do envelhecimento

Silvia Zuffo - Porto Alegre - RS

Envelhecimento é um tema que tem sido discutido por várias áreas da ciência, neste trabalho o interesse é pelo sofrimento que é imposto aos velhos na medida em que o meio não lhes possibilita viver a função personalidade. Os velhos não escapam de sentimentos de desilusão e tristeza, em algum momento se sentem desconfortável neste lugar no qual é visto como “velho”. Envelhecer passa por algo mais determinante, que vai além de um corpo que vive intensas modificações da ordem da degeneração. O confronto com a própria velhice e a finitude, que se apresenta como acontecimento concreto e próximo para si mesmo, vem acompanhada de angustia, e mobiliza o velho, numa ação de recuperar a trajetória de vida, a sua história a sua biografia. Mas muito mais que lembranças, são as reconstituições dos vividos que passam a ser o lugar especifico da experiência de satisfação. As reminiscências possibilitam ao velho contextualizar-se no mundo, dando sentido e importância para a sua vida, mas desde que sejam compartilhadas com seus semelhantes. O ser humano inevitavelmente necessita do reconhecimento dos seus semelhantes, quando o meio, aqui estamos nos referindo à família, a sociedade da qual fez parte, não “lhes dá ouvido”, gera neste que envelhece a angustia de “não ter um lugar”, na medida em que se torna invisível instala-se a dor, o sofrimento, restando para este velho o ajustamento aflitivo. Ajustamento esse que consiste num pedido de socorro, desejo por um espaço social, familiar, comunitário, espaço este no qual possa ser ouvido. Esta “vivência de exclusão” na ótica da Gestalt-terapia, é quando o velho perdendo o corpo, que é à base de qualquer evento, sem o qual o sistema self não opera sua função de ego. É quando esta função (ego) fica impedida de encontrar: dados ou laços sociais que possibilitem aos hábitos motores e verbais um horizonte de futuro que os faça valer como horizonte de expectativas (desejos). Este velho que se apresenta na clinica suscinta uma intervenção do Gestalt-terapeuta, diante do reconhecimento da “forma” que é o “modo” peculiar de “contato” entre o passado e o futuro das atualidades físicas envolvidas, tem a possibilidade de intervir no sentido de se colocar como ego auxiliar, oferecendo dados como o “olhar”, o “trabalhar junto”. Se tratando de uma “clinica Gestáltica” No que se refere aos ajustamentos aflitivos trata-se de favorecer a autonomia da função de ego na construção de um pedido de inclusão.
Silvia Regina. Medeiros Zuffo - Graduação em Psicologia pela Univali - Universidade do Vale do Itajaí - SC. Especialização em Gestalt-Terapia pelo Instituto Muller-Granzotto.