O portador de transtorno mental no cotidiano do trabalho de agentes comunitários de saúde: uma prática do contato na clínica ampliada
Fabiana de Souza - Florianópolis - SC
A Reforma Psiquiátrica apresenta novas possibilidades e estratégias de intervenção clínica dentro do presente cenário de saúde mental no Brasil. Neste contexto as Unidades Básicas de Saúde (UBS), mais recentemente, passaram a ser vistas como dispositivos que buscam promover novas formas de relacionamento com a saúde mental. As UBS contam com o Programa Saúde da Família (PSF), que é responsável pelo atendimento à comunidade; nestas equipes estão inseridos os Agentes Comunitários de Saúde (ACS). Neste contexto a clíncia ampliada apresenta-se como mais um campo de acolhida de atos intersubjetivos, de contato, de afeto e de intimidade. A presente pesquisa teve como objetivo verificar qual a compreensão dos Agentes Comunitários de Saúde da Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Bela Vista do município de Palhoça/SC acerca do Portador de Transtorno Mental (PTM) no seu cotidiano de trabalho. Esta pesquisa se classifica em um trabalho qualitativo e exploratório, cujo instrumento de coleta de dados foi a entrevista semi-estruturada junto a seis agentes comunitárias de saúde. Para efetuar-se a análise dos dados, bem como sua interpretação, realizou-se à análise de conteúdo através do levantamento de categorias a posteriori. Por meio da análise dos dados foi possível entender que os ACS compreendem o PTM ainda com dificuldades no cotidiano do seu trabalho. No contato com os PTM, os ACS apresentam uma ambigüidade quanto ao conceito de transtorno mental, utilizando-se em sua rotina de trabalho dos subsídios trazidos pelo apoio no vínculo estabelecido com os PTMs, no intermédio de familiares e no conhecimento adquirido através do senso comum. Do que emerge a necessidade do auxílio de outros profissionais na efetivação de um trabalho integrado. A percepção dos ACS acerca do PTM é permeada por uma visão construída historicamente pautada no alijamento do diferente. Pôde-se então concluir que há a necessidade evidente de informações e de um trabalho voltado para a qualificação destes profissionais, fundamentada em um modelo biopsicossocial, para sua atuação no campo da saúde mental.
Fabiana de Souza - Psicóloga especialista em Saúde Pública, pós graduanda em Saúde da Família na UFSC e em Psicologia Clínica Gestáltica no Insituto Müller-Granzotto